quinta-feira, 15 de abril de 2021

Simples e necessário

Simples e necessário, velho alimento

Que farta a barriga do trabalhador,

Que perdoa os renegados do espírito,

Que alegra o café da manhã das crianças,

Que se compartilha na mesa de ricos e pobres

Abençoado pão!


Espalha afeto e carinho, sobrevive ao tempo

Milenar, tão arraigado quanto o ser-humano

Fruto das mãos e da terra, combina sentimentos

e técnicas variadas em cada pedaço e canto.

Tão vivo quanto os sonhos e as dores que nele

se fermentam  aos milhares, aos pés dos montes

e nas margens dos mares, em qualquer povoado.

Abençoado pão!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

A dificuldade em uma Imagem

 




Escuto a turbulência

dos meus dias,

É breve como os raios

em tua boca,

vagam na paisagem

triste e infinita,

como os gruídos

de uma louca.


Deserto nos cais 

dos desejos

são sonhos sem jeitos

e famintos,

suplicando reis, cegos

e mendigos,

que dançam nus

em procissão.


Abram as mãos

meus inteiros,

Esfria-se os carnavais

das velhas eras

em que o horizonte

escorrido,

em tempestades

nos derrama.


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Oração dos Campos



Quero pedir aos céus e a todos os ventos

Aos mares e as estrelas do firmamento,

 Aos vaga-lumes de todos os campos

Um só lamento e um aceno de Deus.

 

Para que a Terra tenha brilho e suspiro

Para que as estradas sejam acesas

E todos os caminhos limpos de mágoas

E a natureza seja: o sonho e o descanso.

 

 E que paz revisite a face do planeta

Através do amor, do belo e da pureza.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Ser humano e o meio ambiente

https://www.youtube.com/watch?v=2QXOSHMyHfo 


Audiência pública sobre a pulverização aérea com agrotóxicos em Araraquara em que eu falo sobre o ser-humano e o Meio Ambiente.


Falo a partir de 1 hora e 42 minutos.

Divino




Divido as amoras

 com os pássaros,

 recolho as do chão

 já bicadas e misturadas

  com as folhas.


Folhas entrecortadas

sombras entre ninhos,

beija-flores dançando

as amoras nos dedos

manchando de vinho.


Não há alimento

mais puro e terrestre

do que este.







domingo, 20 de setembro de 2020

Biografia

 

Resultado de imagem para parque estadual do juquery

Sou filha do Cerrado

Por isso eu tenho:

os pés rachados,

os braços tortos,

a pele grossa,

a alma em chamas,

os sonhos ingênuos,

o olhar pleno de horizonte.


Sou filha do Cerrado

Sei me isolar nos campos,

igual ao lobo guará,

fujo da maldade dos homens.


O Cerrado me pariu

torta e tonta na vida,

O sol intenso no peito,

as águas subterrâneas

jorrando bicas nos olhos.


Por isso,

não sei a malícia

dos que querem ser espertos,

nem a falsidade

dos que querem ser superiores,

pisando nas ervas mágicas

que curam, principalmente,

a falta de cuidado e sentimento.


Sou filha do Cerrado

custo a entender este mundo,

em que o coração

vale menos do que a sombra.

Em que as raízes são cortadas

e que todo céu é esmagado

pelos muros do medo

e da contenção do desejo.


Continuo...

como uma seriema querendo asas,

como uma coruja que se esconde da noite,

como uma raposa caçada que chora,

uma jaguatirica assustada

que não sabe a sua real beleza.


O Cerrado em mim

escorre flores e lágrimas,

mato e capim,

lua e sapos,

vaga-lumes e sacis.

Enquanto eu neste mundo

da guarita para cá,

sou pária.






sábado, 19 de setembro de 2020

Rima contra o Latinfúndio.

 


Eu queria entender a cabeça 

de um latinfundiário,

seu cérebro reduzido

seu corpo atrofiado.


Eu queria entender o olhar

de um latinfundiário,

sem nenhuma espécie de brilho

seu jeito mecanizado.


Eu queria entender melhor

o latinfundiário,

sua falta de princípios, 

suas ideias de mentecapto.


O latinfundiario é um energumeno

tem a fome de um arrenegado,

veste o luto, não tem sonhos,

descarado, vagabundo, alienado.


Se acha sábio, o latifúndio

mas é o que há de mais atrasado,

colonizador, capitanias, 

feudalismo nesta terra agigantado. 


O latifúndio não tem fundo

não tem limites, é autocentrado,

não alimenta, não mata a fome

só engole tudo que é mato.


O seu sinônimo é deserto

deserto cana, deserto pasto,

eu queria entender

a cabeça de um latinfundiário


A sua ânsia de grana,

o seu desejo de desgraçado,

Midas da morte, ele não sabe

que é apenas um retardado.


Não tem alma, não tem vida

não tem espírito, é desalmado,

o latinfundiário não se entende,

 oco e vazio, ele é desarrazoado


Desmiolado, disparatado.

O latinfúndio é o lado

mais perverso e trágico,

o cu cru do mundo.









sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Pantanal de Marcos Viana

 Música que lembra o que estamos destruíndo  



https://www.youtube.com/watch?v=pOhs2MjyrmM&feature=share&fbclid=IwAR2X7taf1LbHpMVmQlt66JntKJmMVtox658Fx3aRuQKee-UNYw15GO-A81U  

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Sobre Pântanos e Poemas





Quando vejo o Pantanal morrendo em chamas,

pergunto-me: qual o direito que tenho à vida?

Quem foi que determinou que o ser humano

vale mais do que as cobras, os jacarés e as onças?


Qual o sentido de nos protegermos tanto?

Somos parte do abismo, somos ocos e ecos,

somos a chama da ambição corrosiva

que destrói, mata, seca, queima o Pantanal

enquanto minhas lágrimas são poucas.


Não sou mais importante que um macaco

uma anta, uma capivara, um jabuti,  um tatu.

Só sei escrever poesia, estéreis palavras

quiseram um dia em ser o lodo do pântano.


Ah! Se elas pudessem se transformar

em chuva! Uma turbulenta tempestade

que voasse para lá e apagasse a morte...


Eu seria uma nuvem ao menos,

carregada de esperança, flor e semente

do que uma poeta de um choro

 triste, solitário e inútil.





 



domingo, 13 de setembro de 2020

Suivre

 Vivre

avec l'incertitude de la mort glissant dans mes jours

Je suis un nuage, je sais que je flotte comme toutes les ombres,

Je marche doucement sur le sable de mes heures

et comme tout le paysage, je survis dans l'instant

quand je sens le souffle illuminer mon visage.


Chaque minute est un peu de l'infini qui explose

à l'intérieur de l'âme, pour que la vie n'oublie pas

la force qui jaillit des mains et des rêves

de ceux qui n’ont pas peur de le traverser.


Doucement, je sens que je meurs

en attendant la vallée et la colline

de mon éternel désir.

sábado, 12 de setembro de 2020

Semear

 



Eu planto quando não espero plantar. 

 Minhas sementes nascem nas encostas,

 nos meios das outras plantas, nas pedras,

nos cantos dos terreiro, embaixo das árvores.


Eu apenas as jogo, sem nenhuma pergunta

ou lembrança.


Elas simplesmente brotam

sem a permissão das unhas

sem os sulcos dos dedos,

nascem de um leve abandono

pelos ares.


Sementes do alimento do amanhã

sementes de flores imperceptíveis

no dia a dia, sementes de plantas

árvores, brotos do ontem e do sonho

pulam na terra e saltam de todos 

os interiores, de repente.


De um dia para outro aparecem

e nos pegam com um espanto,

um olhar mais doce e vago

diante da delicadeza da vida.


Elas nos semeiam por dentro,

acareciam nossos dedos

e mostram a força de nossas mãos.


Plantando, 

somos devolvidos para a terra

vivos!

Nossa mãe, nossa casa

nosso eu.

.









 A imagem pode conter: natureza, texto que diz "DIA NACIONAL DO CERRADO 11 DE SETEMBRO SINDSAUDE/GO W"

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Saudades

 Observação: Este poema eu fiz quando eu tinha nove anos


Por que a pomba branca é o símbolo da paz? | Super


Eu estou com saudades

do meu avô que morreu.


Eu estou com saudades

dos tempos de paz

em que uma pomba voava

sem ninguém querer matar.


Eu estou com saudades

de quando eu podia voar

e um pássaro cantava

uma bela canção de ninar.


Saudades, ah... Saudades...

são coisas que a gente 

não pode ver

mas pode sentir.

Goiabeira


Tesoura Elétrica F-3010 na poda de goiaba - YouTube


 Goiabeira velha

 Goiabeira antiga

traz perto de mim

       a vida.


  Goiabeira velha

  Goiabeira antiga

traz para perto da vida

      o sonho.


    Goiabeira antiga

     Velha goiabeira

Traz para perto do sonho

   As verdades inteiras.


 Último tronco rachado

 Antigos e velhos cascos

    Goiabeira serena

Sem flores e frutos nos galhos

  Traz a saudade imensa.


Goiabeira velha

Goiabeira antiga

Foi-se realidade

Ficou-se a infância

     vivida.


Ilusões de todas as tardes

de todas as folhas caídas

  Trazem para perto do chão

A imensidão do céu que respira

O tempo finito das árvores.


E eu, pedaço de solidão

vejo em ti os galhos da eternidade

com os quais trancei a canção

  da saudade.


E nas sombras primeiras,

Goiabeira antiga,

Meu sonho fez habitação.


Luz entre os ramos

Séculos que não se adivinha

Pedaços de risos e prantos

ficaram nas folhas secas

  apodrecidas.


São marcas do encanto

Enquanto a minha face

se perde de outras faces

que beberam essa luz

Esses teus ramos, tua raiz.


Goiabeira velha

Goiabeira antiga

Aonde que em ti

Perdeu-se a vida?

Perdeu-se o sonho

E as verdades?

Perdeu-se a infância

E a eternidade?


Ficou a música vivida

dos seus galhos tortos,

Sua luz como cortina

em meus olhos sempre.





sábado, 1 de agosto de 2020

Oração aos rios

Rio Juquery, entre as represas Sete Quedas e Paiva Castro (Sistema ...

Os rios, inteiras passagens de abundância
morrem nesta sociedade do desperdício,
secam sem uma lágrima humana para regá-los,
esturricam de sol e de erosão 
sem um lamento, um canto, um poema.

Os rios são anônimos e invisíveis,
só são lembrados quando se abre a torneira
e nada pinga de seus interiores.

Para o humano, os rios são servos
da sua sede insaciável de matéria
artificial e hipócrita.

Um rio se derrama em esperança para a seca
se derrama em profusão para a noite, 
em espelho para a lua, em horizonte para quem ama,
em sonhos plácidos para quem o comtempla,
um rio é chuva e semente todos os dias.

Os rios cheiram a terra e escondem
em suas profundezas, todas as mágoas
toda a tristeza, e ainda nos ensina
que a união de várias águas pode
transformar nos em grandes.

Gigante é o rio que carrega a todos
carrega o lodo, carrega a matéria morta
carrega as embarcações, o peso que depositamos
em toda a sua força e superfície.

Ele ainda nos ensina
que toda vaidade é afogada
em nosso próprio reflexo.

Mas preferimos matá-lo
por miséria de nossas almas
do que aprender com ele.

Santificado é todo o rito
de sua passagem na paisagem.
Santo todo fio de água que surge
por entre as flores do campo.

O teu nome seja fonte de purificação
para todos aqueles que sentem saudades
e sede do seu  verdadeiro interior. 

Rio que deságua em peixes e mar
seja breve e sereno para aqueles que amam,
seja caudeloso e forte para aqueles que se dissipam
em correntes, seja rio, ritmo e movimento
da divindade para os seres vivos.

Um rio é sempre uma semente,
um cheiro de manhã em névoa
e sonho.









Compreensão

Eu entendi que eu não tinha direito
de pensar me como a única e a última
de diversos tempos e espaços

Eu entendi que não sou maior
que o vento, ou a chuva
nem mais importante que as pedras

Eu percebi o quanto não importo
para águas, para as sombras
minhas dores são tonterias
de alguém que é passageiro
e perene.

Somente o abraço do ser que amamos
é que nos move para o amanhã.


Sobrevivência






Vivo
com a incerteza da morte deslizando em meus dias
sou nuvem, sei que flutuo como todas as sombras,
piso delicadamente na areia das minhas horas
e como toda a paisagem, sobrevivo no instante
em que sinto a respiração iluminar a minha face. 

Cada minuto é um pouco do infinito explodindo
dentro da alma, para que a vida não se esqueça
da força que brota das mãos e dos sonhos
de quem não tem medo de caminhar por ela.

Delicadamente, sinto que morro 
à espera do vale e do morro
da minha eterna saudade.

gratidão

Gratidão aos deuses pela vida
que me acorda todas as manhãs

Gratidão pela luz, pelo sol
pela noite, pelo amor

Gratidão pelas dores
pelas lágrimas, pelo leito

rio de amor que corre
em mim, ama permanentemente

gratidão pela filha que me deste, vida
pela vida que deste, filha

gratidão pelo amor






sábado, 18 de julho de 2020

Divagação


O que há para salvar nesse mundo?
O escuro da noite
as sombras das árvores
formando vultos ao longe
da estrada infinita.
Mero acaso da morte
a última imagem
o último beijo
e os olhos permanentes
em saudades.
Nada fica
a não ser a poesia
de uma dor
sem imagens.